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terça-feira, 25 de junho de 2013

A Gaveta IV

A GAVETA IV

Uma só gaveta.
Dentre dantas numa cômoda.
Uma só gaveta,
Indiferente e tão incômoda.

Era só uma peça.
Mais um móvel entre tantos.
Uma coisa sem fundo,
Lotada em tantos prantos.

Gaveta na mesa, guarda-roupas ou escrivaninha.
Lembrança temporã, colorida e azevinha.
Peça inútil em que escondo: vida, sombra e imensidão;
Decorativa gavetinha, de alegria, choro, solidão.

Que tens de tão especial, gaveta marrom?
Que tens que abre e fecha fazendo o mesmo som?
Que de diferente há em ti,
Que não coloquei do que há em mim?

19 de Maio de 2013.

-Fabiano Gozzo (e Karina Carrasqueira)

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Gaveta III

A GAVETA III

Uma gaveta,
em um móvel,
no meio da sala.

Uma gaveta torta, manca
que guarda o passado
como se tivesse um cadeado.

Na gaveta eu esqueço as lembranças.
Na gaveta eu enterro o passado.

Uma gaveta tão antiga,
tão pesada, tão ranzinza.
Uma gaveta de madeira,
alma alva,
áurea cinza.

Era só uma gaveta
para quem via de fora.
Lá dentro meu universo.
Lá dentro minhas respostas.

19 de Maio de 2013.

- Karina Carrasqueira (e Fabiano Gozzo)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Gaveta II

A Gaveta II 

Era só uma gaveta
numa cômoda de madeira
Uma gaveta entre outras quatro,
Nem muito em cima,
nem muito embaixo.

Ela está cheia de saudades.
Ela está cheia de lembranças.
A gaveta parece não saber o tamanho
da sua importância.

Uma gaveta não normal.
O que te faz especial?
É que lá dentro tem tudo o que preciso.
Lá dentro tem amor e carinho.

A gaveta não é só uma gaveta
ela tem um destino.
Ela guarda as lembranças que
preenchem o meu vazio.

19 de Maio de 2013.

-Karina Carrasqueira (e Fabiano Gozzo)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Gaveta I

A Gaveta I

É só uma gaveta,
numa cômoda de madeira.
A terceira de cima para baixo,
com o puxador quebrado.

Ela tem cheiro de coisa velhas.
Ela tem cheiro de lembrança.
A gaveta não sabe, mas ela
só guarda coisas sem muita importância.

A gaveta é só mais uma gaveta.
Marrom por fora,
por dentro branca.

No meio de outras quatro.
Velha e torta,
entre outras tantas.

A gaveta, antes árvore,
hoje peça de mobiliário
mantem a altivez,
talvez pense
que é ela quem decida
se abre ou não abre.

17 de Abril de 2013

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sem título

Em cada minuto,
a eternidade.
É que o tempo
não passa
sem você

Os dias passam
e as luas mudam.
Mas elas nao mudam
nada em mim.

Eu costumava dormir
sentindo o seu coração batendo,
eu constumava sentir seu cheiro
nas roupas que eu vestia.

Agora o que eu tenho
é um poema
sem melodia.
Uma cama
vazia.
E uma vida
de nostalgia.

08 de Julho de 2011.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acalento

Acalento (ou saudades da vovó)

Eu não quero mais
beijos de despedida.
Não quero mais o gosto amargo do "adeus".
Entre o "oi" e o "tchau" uma vida,
sempre mais curta do que a gente queria.

Hoje eu senti saudades,
eu limpei os armários
e deixei sair todas as memórias.

E eu chorei,
chorei porque lembrei
com grande satisfação de todas as coisas boas que vivi.

Tristeza é coisa de quem nunca teve alegria.
A quem falta a esperança, melancolia.

Eu chorei,
e ainda choro, menos a cada dia.
Porque saudade é coisa boa.
É a alma cheia de amor, um acalento.

É um amor que nunca morre,
porque vive em mim.

20 de Setembro de 2012.